O trabalho jornalístico leva mais um colega ao banco dos réus.

 

Opinião do Editor – tanto aqui quanto fora do Brasil, a metodologia das autoridades atacarem a imprensa e mais ainda, o jornalismo independente é igual.

Na maioria das vezes não ganhamos o suficiente para fazermos um trabalho  jornalistico de qualidade, sério, e voltado ao cidadão a fim de mantê-lo informado, orientado, e em alguns casos, protegê-lo de eventos destrutivos.

Porém o jornalista independente enfrenta na maior parte deste cenário, obstáculos poderosos, e aí, colegas são processados, presos, torturados, e até assassinados.

Processados e assassinados tem sido comum aqui no Brasil. Eu por exemplo, fui processado e ainda estou pagando serviço comunitário. A acusação: falso alarme. Mesmo com provas, não tive direito de defesa, pois assim que cheguei para à audiência, não havia juiz, advogado…nada, apenas uma sala com uma secretária já com o acordo judicial pronto só esperando a minha assinatura.

O jornalista independente não tem ninguém para defendê-lo. Não há uma empresa que acione o departamento jurídico para correr atrás, não há sindicato, ou associação que vá no apoio, enfim, como vendemos o almoço para comer a janta, e não pagamos mensalidades, não porque não queremos, e sim, porque não temos mesmo, estamos sozinhos. E aí trabalhamos numa forma kamikase, empurrados pelo amor fanático à profissão.

O ideal é ganhar um patrocínio, mas é difícil, principalmente quando se está começando do zero novamente.  Sendo assim, sigo o trabalho sob cumprimento de justiça e vigiado.

Na última vez me tiraram toda à estrutura e recursos, mas me deixaram com a vida e a saúde; e complementando o amor que tenho pela profissão vou seguindo em frente mesmo matando um leão por dia. E assim espero chegar rapidamente o dia de não ter mais que vender o almoço e sim degustá-lo. Que saudade disso!!!  — Cimberley Cáspio —

Já falei demais, segue o texto.

Por Natalia Viana – Agência Pública de Jornalismo Investigativo

O jornalista angolano Rafael Marques perdeu a conta das vezes em que membros do governo do seu país o processaram na Justiça. Também não se lembra de todas as vezes que foi detido – a prisão mais longa foi de 42 dias, em 1999, sem ter recebido nenhuma acusação formal.

Agora, o ex-procurador-geral de Angola, general João Maria Moreira de Sousa, o acusa de injúria por ter publicado uma denúncia de corrupção, devidamente comprovada por documentos. O julgamento será na próxima segunda-feira, dia 5 de março. A acusação: crimes de injúria e ultraje a órgão de soberania. A pena: até três anos de cadeia.

“É uma acusação vaga usada para permitir que as autoridades consigam sempre reprimir a liberdade de imprensa”, disse ele em entrevista à Pública.

Editor do site independente Maka Angola, Rafael Marques é o mais importante jornalista investigativo do país. Vencedor de diversos prêmios internacionais, como o Prêmio Integridade, da Transparência Internacional, Marques revelou dezenas de casos de corrupção do governo autoritário de José Eduardo dos Santos, que permaneceu no poder por 38 anos. No meio tempo, o grupo próximo ao ex-presidente enriqueceu assustadoramente – sua filha é a mulher mais rica da África –, enquanto a população permanece na pobreza.

Angola é o segundo maior exportador de petróleo da África, mas tem cerca de 36% da população abaixo da linha da pobreza e possui a pior taxa de mortalidade infantil do mundo. Nesse contexto, afirma Marques, é impossível para qualquer jornalista ser imparcial. “Um jornalista não pode realizar seu trabalho com imparcialidade se à sua volta só há opressão, roubo, e uma população inteira que vive em um estado de miséria sub-humana.”

Rafael Marques é o mais importante jornalista investigativo de Angola

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