Aumento nos casos de conjuntivite surpreende médicos.

“Foi uma surpresa muito grande, há vários anos a gente não observava esse surto de conjuntivite”, diz o oftalmologista Wagner Batista, de Belo Horizonte. “Com certeza surpreendeu! Todo verão a gente se prepara para um aumento, mas o número desse ano foi muito maior do que o esperado”, fala o também oftalmologista Vasco Bravo Filho, de Recife.

Fila de espera paraImagem – NATHALIA BORMANN/FUNDAÇÃO ALTINO VENTURA
Em Recife, pacientes aguardam abertura de ficha na maior unidade de atendimento oftalmológico da rede pública, a Fundação Altino Ventura. Este ano, foram atendidos 12 mil casos de conjuntivite, contra 2 mil no ano passado (foto de 4 de abril)

 

“Foi muito maior e mais longo do que nos anos passados. A essa altura, já não era mais para ter”, completa Ivan Dantas, coordenador do serviço de urgência de Salvador.

Os três médicos trabalham no atendimento de emergência da rede pública das capitais dos seus Estados. Em comum, vivenciaram uma crise de conjuntivite viral, muito maior e mais longa do que o esperado para os primeiros meses do ano, que abarrotou as unidades de saúde. Em alguns casos, foi preciso isolar áreas da emergência só para pessoas com conjuntivite e até mesmo montar hospitais temporários, para evitar o contágio de outros pacientes. O auge da crise ocorreu em março e, agora, começa a diminuir.

Segundo levantamento da BBC Brasil, o número de casos de conjuntivite explodiu no início deste ano em pelo menos quatro Estados do país: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco. Além disso, Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Petrópolis (RJ) registraram números muito acima do normal para esta época do ano.

A extensão do surto de conjuntivite de 2018 pode ser ainda maior. Não há dados consolidados de todo o Brasil, porque os Estados não são obrigados a notificar surtos de conjuntivite para o Ministério da Saúde. Em alguns casos, nem os Estados têm dados agregados dos municípios. Além disso, não há padronização dos dados entre as diferentes regiões do país e há uma dificuldade de comparação com anos anteriores.

Confrontados com os surtos em suas cidades, os brasileiros correram para o Google em busca de respostas, gerando uma explosão inédita na procura pelo termo “conjuntivite” (veja mais à frente na reportagem algumas das dúvidas principais e o que os médicos dizem a respeito). O interesse começou a crescer em fevereiro e atingiu o auge em março. A partir de abril, passou a diminuir. Antes disso, apenas um pico tinha sido registrado no Google, em 2011, mas em intensidade bem menor do que o atual.

Como a conjuntivite é uma doença simples, autoridades de saúde pública ouvidas pela BBC Brasil dizem que não há motivo de preocupação. O ciclo da doença costuma durar de 5 a 7 dias e, na maioria das vezes, não há necessidade de uso de medicamentos e nem ocorrem complicações. Apesar disso, é preciso se afastar do trabalho, escola e transporte público nesse período, para evitar o contágio de outras pessoas.

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