Migração incontrolável: o holocausto marítimo no mediterrâneo.

Por Cimberley Cáspio

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Quando os EUA e a OTAN acharam de interferir na soberania da Líbia, na época, governada por  Muamar Kadafi, provavelmente sabiam que iriam abrir os silos do inferno. E foi o que fizeram.

Hoje a Líbia virou território de ninguém; uma terra sem lei. Uma região dominada pela violência extrema, e sem limite, onde o tráfico de todos os tipos dominam e interagem comercialmente, com foco nos mais fracos e principalmente jovens, os quais, são as vítimas, mercadoria humana do poder marginal dominante no país árabe.

As consequências dessa tragédia de origem americana, que tinha como alvo principal, saquear o petróleo líbio, como vem ocorrendo, é a megamigração que ora acontece sobre o mar mediterrâneo, onde desesperados pela vida, deixam tudo para trás a fim de salvar à própria pele e sobreviver ao perigo da travessia marítima, que até agora já cobrou mais de 6 mil vidas ao fundo de suas águas, na ânsia de alcançar à Europa e escapar da escravidão e da morte na África.

Muito embora receber pessoas em casa que não foram convidadas seja algo realmente chato e constrangedor, os países europeus que reclamam da chegada da grande massa migratória africana, em sua maioria fazem parte da OTAN e fizeram por onde sob à liderança dos EUA, dar vida a esse vespeiro humano. Então, claro que estão recebendo à resposta de suas ações militares extremamente capitalistas na Líbia. E agora não querem mais receber os imigrantes? Estão reclamando de quê? Não foi isso que procuraram?

Uma coisa é resgatar 11 crianças em uma caverna, como o caso acontecido na Tailândia, que comoveu o mundo. Porém outra coisa é resgatar milhares e milhares de uma ação de origem previsível, quer dizer, sabiam que iriam abrir os silos do inferno, e milhares de almas aprisionadas, iriam aproveitar à oportunidade para fugir em direção à liberdade, independente de como fariam, e do modo que estão fazendo. O estouro da boiada na mais épica jornada migratória atual da humanidade que ninguém controla. E agora recusam o resgate? Sabiam que não teriam logística para um resgate de tamanha proporção, sabiam.

E além disso, em suas costas vão pesar à morte dos milhares nas águas do mediterrâneo, entre eles, muitas mulheres e crianças.

Os imigrantes agora passaram a ser personae gratae, quer dizer, pessoas não bem-vindas. E os que continuam tentando, ficarão no mar até que morram de fome e sede, ou, uma nação, como a Espanha já fez, assuma à criança. A sorte está lançada.

 

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