Agronegócio fez desaparecer as andorinhas e cigarras em Mato Grosso.

Por Inês Zanchetta  –  Observatório do Clima

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Foto: reprodução do Google

Produzido em parceria pelo Instituto Sociambiental (ISA) e pelo Instituto Catitu que foi exibido durante a Conferência do Clima de Paris (COP-21), o documentário Para Onde Foram as Andorinhas? foi apresentado na Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental; seu lançamento se deu em 16/8 e, desde o dia 22, está disponível na internet.

Com roteiro de Paulo Junqueira, do ISA, e Mari Corrêa, do Instituto Catitu, que também é sua diretora, o filme mostra de forma sensível como os povos que habitam o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão sentindo os impactos das mudanças do clima e do agronegócio, no dia a dia: seja em sua base alimentar, como nos sistemas de orientação no tempo, em sua cultura material e rituais. Os índios estão preocupados com o futuro de seus netos, das novas gerações. Com o mundo que vão deixar de herança para eles.

O Filme Para onde foram as andorinhas revela os impactos das mudanças climáticas na vida dos índios xinguanos Produzido em parceria pelo Instituto Socioambiental e o Instituto Catitu, o filme “Para onde foram as andorinhas?” mostra de forma sensível e explícita, de que forma os povos que habitam o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sofrendo em seu cotidiano os impactos das mudanças do clima.

“Por onde andam as andorinhas” mostra a preocupação dos índios do Xingu em aspectos importantes de sua vida, de sua base alimentar, de seus sistemas de orientação no tempo, de sua cultura material e de seus rituais.

Eles estão preocupados e perguntam como será o futuro das próximas gerações. Por isso estão atentos e continuam a luta para preservar e proteger a floresta que os abrigam.

Essa preocupação foi tema da Conferência do Clima (COP-21) em Paris, que reuniu 195 países do planeta e 120 chefes de Estado. Na COP-21 foi costurado um novo acordo entre os países para conter o aumento da temperatura global em 2ºC até 2100.

Hoje, no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, vivem 6 500 índios de 16 povos diferentes, que com seu tradicional sistema de manejo do território garantem a preservação das florestas. Já do lado de fora a realidade é outra. Com 86% das florestas convertidas principalmente em soja, milho e pasto, os últimos 30 anos foram de devastação ambiental no entorno do Parque. As consequências no clima, nos animais, na agricultura são sentidas pelos índios e eles estão preocupados com o futuro de seus netos. Com o mundo que vão deixar de herança para eles.

Cigarras não cantam e borboletas e andorinhas sumiram Os sinais estão por toda parte. As cigarras não cantam mais anunciando que a chuva vai começar a cair em alguns dias. E assim, os Waurá, do Parque Indígena do Xingu não podem determinar o momento certo de plantar o milho, a pimenta, o cará. Lamentam que o calor em excesso cozinhou os ovos das cigarras, que por isso não nascem mais.

De sua parte, os Kawaiweté também estão ressentidos. Quando as andorinhas apareciam e voavam em bandos, era a hora da chuva começar a cair. Hoje isso acabou. Árvores frutíferas que atraíam os bichos como os macacos, por exemplo, foram queimadas em incêndios. Sem frutas para comer, os bichos não aparecem mais .Também as borboletas, que visitavam as aldeias avisando que o rio ia começar a secar, sumiram. Com exemplos como esse, os xinguanos explicam o que está acontecendo com seus modos de vida.

Antigamente não era assim, eles dizem. Mas o aumento do calor, a falta de chuvas, o desmatamento no entorno do território e até a construção de barragens são apontados como causas dessas mudanças.

O fogo, que antes restrito à roça, hoje, se alastra com muita facilidade, atingindo grandes áreas do Parque, exigindo que os índios se mobilizem e adotem novas técnicas e equipamentos para controlar o fogo. O calor intenso também está matando as frutas como a banana e o mamão, cujos pés estão morrendo antes que elas consigam nascer. Quando conseguem frutificar, acabam queimadas. Assim, vários alimentos que fazem parte da culinária dos povos xinguanos estão desaparecendo, como é o caso de algumas espécies de mandioca e batata.

Os impactos climáticos são tão fortes que interferem até nos rituais indígenas. É o caso da furação de orelhas das crianças do povo Waurá, ritual que tem como alimento importante o pequi, plantado abundantemente pelos índios, e que também está sofrendo as consequências das alterações que vêm ocorrendo. As árvores começaram a ser atacadas por pragas antes desconhecidas pelos índios.

A floresta no entorno do Parque vem sendo desmatada por conta das plantações de soja. Sem mata, o calor aumenta, e os índios se sentem desprotegidos. Outro sinal que eles apontam é o aumento das ventanias que traz poeira com agrotóxicos usados nas grandes lavouras. Os índios estão preocupados e se perguntam como será o futuro de seus netos. Acreditam que eles vão passar fome, porque as plantações não vão resistir a tanto calor. E temem que as futuras gerações tenham que depender da comida dos brancos.

Confira! Assista ao filme!

Link da fonte: http://conexaoplaneta.com.br/blog/para-onde-foram-as-andorinhas/

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