Ouro e diamantes.O verdadeiro motivo dos combates políticos e eleitorais sangrentos no Zimbábue.

Por Jornal de Notícias – Editado p/Cimberley Cáspio

Robert Mugabe – Foto: REUTERS/Philimon Bulawayo

 

Os confrontos sangrentos que ora acontecem no Zimbábue, em relação ao resultado das eleições, nada tem a ver com o voto, e sim, com as minas de ouro e diamante do país. E claro, o novo governo, que fazia parte do governo anterior, não vai querer entregar tamanha receita assim de mão beijada, apenas por resultado de eleição.

Se a oposição quer o governo, então que parta pra cima. As minas não serão entregues senão sob derramamento de sangue.

Na verdade a campanha eleitoral foi mais uma cortina de fumaça pra enganar o próprio povo zimbabueano e tentar passar pra comunidade internacional, que a eleição e o resultado foi dentro das regras. E importante ainda sabermos que nesses “filmes” africanos, não há mocinho.

Bem, em março de 2016, o então Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, anunciou que o Governo iria passar a deter o controle de todas as minas de ouro e de diamantes do país para evitar que as empresas estrangeiras conseguissem  vender as pepitas sem as declarar.

“Não recebemos muito (dinheiro) da indústria diamantífera”, disse à época Robert Mugabe numa entrevista à televisão oficial local, a ZBC.

“O nosso povo não sabe o que está acontecendo. O tráfico tem sido muito grande e as empresas mineiras têm estado a roubar a nossa riqueza. Decidimos, assim, que esta área deveria ser um monopólio e que apenas o Estado a deve gerir”, acrescentou o chefe de Estado zimbabueano, no poder desde dezembro de 1987.

Em fevereiro de 2016, o ministro das Minas zimbabueano, Walter Chidhakwa, já havia indicado que o Governo tinha tomado o controle das minas de diamantes no distrito de Chiadzwa (leste do país) após as licenças até então atribuídas terem expirado.

Em 2015, o Governo zimbabueano impôs às empresas exploradoras de minas de diamantes, incluindo as “joint-ventures” com as companhias chinesas presentes do distrito de Marange, também no leste do país, a gestão e comercialização da exploração.

A indústria diamantífera zimbabueana até hoje, tem sido alvo de alegações de abusos aos direitos humanos dos trabalhadores, havendo relatos de assassínios e de tortura, que levaram, entre 2009 e 2011, à proibição internacional da venda de gemas oriundas de Marange.

Os primeiros diamantes no distrito de Marange foram encontrados em 2006, levando milhares de pequenos mineiros para a região, na esperança de se tornarem milionários.

Em 2008, o exército, a mando do Governo, “limpou” a área depois de vários grupos de Direitos Humanos terem dado conta da morte de mais de 200 pessoas.

As autoridades de Harare centrou as esperanças do país na indústria mineira para sair da grave crise econômica, embora sem grande sucesso.

Segundo a Bloomberg News, o Zimbabué, que garante grande parte das reservas de moeda internacional a partir das receitas da exploração de minas, viu a produção de diamantes cair de 660.000 para 420.000 quilates nos primeiros cinco meses de 2015.

Link: www.jn.pt/mundo/interior/robert-mugabe-nacionaliza-minas-de-ouro-e-diamantes-no-zimbabue-5060613.html

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