Os soldados da borracha: os heróis enganados e esquecidos da Pátria.

Por Cimberley Cáspio

Durante o decurso da 2ª guerra mundial, inúmeros migrantes nordestinos, em número acima de 60 mil, foram recrutados para os seringais da Amazônia a fim de extraírem a borracha para fins militares.

Vivendo isolado em um quarto de uma humilde residência de madeira, localizada no Bairro Macaxeiral, em Boca do Acre- AC, seu Juvêncio, soldado da borracha, hoje com 108 anos, ainda resiste a espera de direitos que lhe foram prometidos pelo governo à época, e ainda hoje é negado.

 

Muito embora tenham sido atraídos por uma propaganda oficial enganosa, o então presidente Getúlio Vargas à época, em seu discurso, declarou que o serviço dos seringueiros equivalia aos soldados que estavam lutando no front europeu e seriam dignificados com a mesma honra. O que não aconteceu quando foram desconvocados.

Os soldados da borracha, como foram chamados, receberam treinamento militar em quartéis, e trabalharam sob disciplina marcial.

Os ataques da selva, com índios, animais selvagens e doenças, mataram cerca de 30 mil desses “soldados”. Segundo o governo da época, o serviço no teatro amazônico foi tão relevante como no teatro europeu. O perigo de morte era idêntico e cruel.

O problema é que os soldados que estiveram na Europa, e que sobreviveram, além de terem tido total apoio da mídia nesse tempo, conquistaram todas às honras nacionais e benefícios pelas ações de combate. Os que morreram em solo europeu, suas famílias foram agraciadas com honras póstumas e pensões. Mas, e os soldados da borracha que Getúlio Vargas declarou que receberiam as mesmas honras e direitos? Bem, foram enganados e relegados ao  esquecimento.

Muito embora os ataques na floresta amazônica não tenham sido praticados por alemães, o sacrifício e o horror foram os mesmos. Os mais de 30 mil soldados da borracha que foram mortos na Amazônia, tiveram a dor da morte idêntica a dor da morte dos soldados brasileiros na Europa. O medo e o horror foram os mesmos. Na Europa, os soldados alemães se renderam, e na Amazônia, os animais selvagens, os índios e as doenças continuaram os ataques sem misericórdia.

“o Estado brasileiro, na PEC dos Seringueiros, informada nas audiências da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, na Organização dos Estados Americanos (OEA), reconhece os direitos, mas não paga nem honra os compromissos firmados nas Cortes internacionais”, disse o Vice-Presidente do SINDSBOR, George Telles de Menezes.

Abaixo, trecho extraído do Portal Guajará

“Em setembro de 1943, foi criada, pelo Decreto-Lei nº 5.813, a Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para Amazônia (CAETA), substituindo as agências responsáveis pelo recrutamento da mão de obra na Amazônia.

Sob a jurisdição da CCAW, esta adotou uma política seletiva para o encaminhamento de trabalhadores para empresa extrativista. A preferência passou a ser dada aos nordestinos recrutados com suas famílias nas áreas atingidas pela seca.

O recruta era submetido ao adestramento e militarização, para tornar-se produtivo, disciplinado, moralizado e ágil. Os exercícios utilizados para essa militarização de emergência eram realizados nas quadras de esporte dos quartéis.

O recruta, além de praticar exercícios físicos, também recebia orientações sobre higiene e era submetido a exames médicos. Esses procedimentos permitiam confundir a condição de trabalhador com a de soldado, e os seringais com o campo de batalha, propiciando a implantação da disciplina militar, que os submetia aos preceitos regulares e obediência sem hesitação aos chefes.

Nos postos de alistamento, eram colocados diariamente inúmeros cartazes, onde apareciam soldados em meio a uma vasta floresta de seringueiras, colhendo látex em grandes tambores carregados por caminhões e jeeps, como se fossem seringais da Amazônia.

Os migrantes não se davam conta de que isso era apenas propaganda enganosa, pois os cartazes não retratavam os seringais nativos, mas sim, os seringais cultivados da Malásia. Essa realidade seria bem diferente daquela que os extratores iriam enfrentar no Vale Amazônico. Alguns dizeres escritos nos cartazes de Chabloz, mencionados pelo autor Jaime Ferreira:

“O Brasil, insultado na sua honra e compreendendo o dever de lutar pela liberdade do mundo, na guerra de vida ou morte que ora se trava [ … ] É a nossa própria dignidade que está em jogo [ … 1 Mas não só pelas armas podemos e devemos concorrer para o triunfo completo da liberdade humana [ … ] Assim, tanto é soldado o que se alista no quartel, como o que se oferece para trabalhar nos seringais da Amazônia: um é o soldado da caserna, o aviador, o marinheiro; o outro é Soldado da Borracha, herói da Amazônia. Ambos estão em igualdade de condições perante a Pátria … (FERRElRA, 1991, p. 2)”.

No período de 1942 e 1945, não existem dados precisos do recrutamento de trabalhadores que foram transportados para Amazônia. Segundo a Defensoria Pública do Pará, “mais de 60 mil brasileiros foram voluntários de Guerra”, mas a maioria deles era motivada pelas propagandas do SEMTA, que por sua vez, eram bem atraentes.

Portanto, estima-se que 30 mil faleceram na região, vítimas de doenças como malária, febre amarela, beribéri e icterícia, sem contar, do ataque de índios e animais selvagens, o sindicato dos soldados da borracha vem lutando a todo instante em brasília em defesa da categoria.e também tramita no superior tribunal de justiça uma ação de violação dos direitos humanos em prol dos soldados da borracha.

Fonte: Assessoria”

Link: http://www.portalguajara.com/soldados-da-borracha-os-herois-esquecidos-na-amazonia-legal-era-vargas/

SOLDADO DA BORRACHA DE 108 ANOS RESISTE À ESPERA DE DIREITOS

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