Perigo nas plataformas de petróleo no Brasil!

 

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Por Rodrigo Cintra – Portal Marítimo

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Imagem: http://www.reginalubr.oibr.com

Há perguntas nesse mundo que chegam a ser idiotas. “Por que o Brasil não vai pra frente?”; “Porque os serviços públicos são ruins se pagamos tantos impostos?” e por aí vai. Eu levanto aqui a pergunta que não cala no meio offshore: POR QUE AS PLATAFORMAS NÃO CONTRATAM MOÇOS?

Não… Não é tudo culpa da Nina…

Os Departamentos de Recursos Humanos ainda não entenderam, então vamos desenhar:

O Moço de Convés é um profissional que enfrenta um Processo Seletivo rigoroso e concorrido, após o qual ainda é treinado pela Marinha do Brasil por três meses em um curso rigoroso, onde o profissional é preparado para a vida no mar.

Essa pergunta não cala no meio Aquaviário por alguns motivos e vamos lá começar o nosso “desenho” pro pessoal “entendido” no assunto:

Contratam todo tipo de gente como Homem de Área. Eu me arrisco a dizer que, pelo padrão atual, todo tipo de gente, na verdade o que chamamos no popular de “qualquer um” se acha apto a desempenhar esta função. É mais ou menos assim: Não sabe o que quer da vida? Quer embarcar de qualquer jeito? Você é jardineiro, frentista, agricultor, flanelinha, vende limão na feira ou picolé na praia… Ah… sobe como Homem de Área e vê no que dá. Isso quando não sobe de Rádio Operador só porque fala inglês, e esse será um outro post que publicarei em breve por aqui.

Tem empresa que vai além e contrata pessoas como Marinheiro de Máquinas sem a devida certificação. Uma vez me mandaram pra bordo um meio oficial de caldeiraria como Marinheiro de Máquinas e também um agricultor. O agricultor, coitado, eu pedia uma chave três quartos, ele me trazia um balde com três quartos, sala, cozinha, banheiro, enfim… Os Homens de Área, todos Marinheiros de Máquinas com CIR e com curso técnico em Mecânica cursados “até a alma” em tudo que vocês podem imaginar, de usinagem a Mecânica Diesel, faziam o serviço que eles deveriam fazer e eu tinha que deixá-los na limpeza. Ao questionar a responsável pelo recrutamento da empresa do porquê deles terem sido contratados, ela me respondeu que contratou um meio oficial de caldeiraria porque o navio tinha caldeira. Me recuso a fazer qualquer comentário adicional em relação a isso, chega a ser um desrespeito aos Marinheiros de Máquinas. Já o agricultor, era jardineiro de um dos diretores da empresa. Enfim…

Hoje a Marinha do Brasil, através do EPM (Ensino Profissional Marítimo), forma uma verdadeira enxurrada de profissionais através do CFAQ (Curso de Formação de Aquaviários), nos Centros de Instrução e nas diversas Capitanias e delegacias por esse Brasil. Arrisco-me a dizer que cerca de 40% desses profissionais são absorvidos pelo Mercado, ficando todo o restante desempregado, “com o pires na mão”, procurando por emprego, pois os CTSs (Cartões de Tripulação de Segurança), em sua maioria, não os comportam a bordo, ou então comportam menos do que antes comportavam. Isso causa uma situação vexatória para os mesmos, chegando ao cúmulo de muitos chegarem a pagar para embarcar através de algumas agências inescrupulosas que “só Deus sabe como” ainda não passaram por um “pente fino” por parte das empresas clientes, da própria Petrobras (principal e maior cliente aqui no Brasil) ou até mesmo por parte do MP (Ministério Público). Isso sem falar nos que tem a carteira comprada ou falsificada, o que incha mais ainda o Mercado, mas esse “ninho de marimbondo” é outro assunto que, inclusive, já foi abordado aqui no Portal.

Esses profissionais são formados para o mar, não são pessoas que vão lá tentar a sorte, mas sim foram devidamente formados para isso, preparados e qualificados. Além disso, com a CIR (Caderneta de Inscrição e Registro) emitida pela Autoridade Marítima, há a possibilidade desses profissionais, mesmo que embarquem como Homens de Área, buscarem outros horizontes que não somente serem guindasteiros e talvez Deckpushers ou então irem para a perfuração como plataformistas e irem ascendendo, “aprendendo por osmose”, ou até mesmo alguns que se arriscam na Produção, após diversos cursos para que se habilitem a tal. Estes profissionais podem optar pelo Convés na parte de Marinharia, indo a Marinheiro de Convés e posteriormente Contra Mestre, Mestre e Oficial de Náutica ou então irem para a Praça de Máquinas e irem subindo para Marinheiro de Máquinas, Condutor e finalmente Oficial de Máquinas.

Afirmo seguramente que um Moço que seja admitido hoje para trabalhar em plataforma é o profissional mais “coringa” que existe, haja visto que as possibilidade se dão em TODOS os setores da mesma.

Deixo claro que não me oponho a contratação de técnicos devidamente qualificados e formados para serem Homens de Área, mas não vejo motivo algum para contratarem o tipo de profissional que tem contratado, pois a reclamação é geral. Tem técnico que não sabe nem o trivial. Até eletricista que não sabe usar o multímetro ou que nunca ouviu falar em Efeito Joule já vi a bordo de plataformas.

Tem gente que não sabe o “basicão”, simplesmente faz o CBSP e HUET e “vamo que vamo” pra bordo.

Desafio a todos que estão lendo esta matéria a analisarem os profissionais com os quais trabalham e chegar às mesmas conclusões que cheguei:

1- É impossível que alguns dos que tem um diploma de Ensino Médio na mão, que é supostamente um critério para ser admitido como Homem de Área, realmente o tenham feito, uma vez que seu nível de Língua Portuguesa e seu próprio comportamento (não que isso seja um padrão, mas é um fato corriqueiro) não condizem com isso. Uma pessoa que tenha realmente tido a oportunidade de cursar um Ensino Médio tem acesso a uma gama de informações que incutem nas mesmas certos comportamentos e principalmente alguns “freios sociais”. Comecem a pedir aos candidatos a cópia do Diário Oficial onde sai a oficialização de seus diplomas de Nível Médio e deleitem-se com a enxurrada de certificados falsos, inventados etc, etc e etc… Será que um profissional desse pode fazer um curso lá na frente, curso que vai exigir conhecimentos adquiridos no Ensino Médio, a fim de que este ascenda na carreira de maneira sólida?

NÃO! Não dá, Cara Pálida… não dá…

Hoje se gira tubo de perfuração em plataforma cyber de sexta geração com top drives completamente automatizados, se dá torque e se quebra torque na coluna com ferramentas hidráulicas moderníssimas como é o caso de uma “Rogers Tongue”, o Torrista não fica mais pendurado na monkey board e as unidades flutuantes possuem um sistema de DP Classe 3. Isso não pode ser entregue nas mãos de “kids marreta” e afins…

2- É impossível que, neste exato momento, não haja um profissional marítimo devidamente qualificado aguardando por uma vaga, uma oportunidade, e realmente devidamente qualificado para isso. Não me venham balançado diplomazinho da escola da Tia Loló na mão dizendo que é qualificado, porque a atividade marítima e offshore,uma atividade top no meio industrial, precisa de gente formada no top também.

Por não haver a regulamentação na área, o critério de contratação é extremamente subjetivo e isso atrapalha na hora da seleção, pois definitivamente não há parâmetros definidos, mas sim uma espécie de prática de Mercado e uma insistência a bordo de que o cara aprende com o tempo, algo do tipo “larga ele na sonda que ele vai aprendendo por osmose”.

Muito cuidado… hoje há muita tecnologia embarcada…

Link: http://www.portalmaritimo.com/author/rodrigo-cintra/

 

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