Os robôs assassinos não estão chegando; eles já estão aqui.

Por Joyce Macedo – Editado p/Cimberley Cáspio

[Imagem: 101859.167839-Super-aEgis-II.jpg]

Super aEgis II (Imagem: Simon Parkin / BBC Future)

Projetada e construída em 2010 na cidade de Daejeon, Coreia do Sul, pela fabricante de armas DoDAAM, a Super aEgis II é uma arma capaz de identificar, rastrear e abater seus alvos, teoricamente, sem a necessidade de uma mediação humana. Elogiada pela sua fabricante como uma “solução de segurança total”, essa arma fica sobre uma plataforma automatizada e utiliza imagens térmicas para encontrar seus alvos a até 3 km de distância. Ela é capaz de funcionar durante a noite e independentemente das condições meteorológicas. A plataforma fica em cima de um giroscópio estabilizador para garantir a precisão dos tiros em meio a fortes ventos e após recuos.

A máquina provou ser popular e rentável. A DoDAAM afirma ter vendido mais de 30 unidades desde o seu lançamento, cada uma como parte de sistemas de defesa integrados que custam mais de US$ 40 milhões cada.

Atualmente, a Super aEgis II está sendo usada em vários locais do Oriente Médio, incluindo três bases aéreas nos Emirados Árabes Unidos, no Palácio Real, em Abu Dhabi, no Qatar e em vários outros aeroportos não especificados, usinas de energia, oleodutos e bases aéreas militares em outras partes do mundo.

Bem, quem será responsabilizado por erros, já que robôs não podem ser julgados por crimes de guerra? Atualmente, essas armas já são vendidas no mercado, mas sem regulamentos internacionais claros. Isso significa que a única coisa que parece ter a capacidade de impedir esse comércio é a consciência dos clientes.

Outra dúvida importante sobre a adoção de armas autônomas é: a máquina vai conseguir decidir se deve ou não abrir fogo contra uma casa onde estão abrigados civis e soldados inimigos?

Esse tipo de questão envolve um grande dilema ético que, em breve, pode ser respondido não pelos seres humanos, mas sim pelas máquinas. Isso porque uma versão totalmente autônoma de uma arma de fogo deve ter o poder de tomar suas próprias decisões baseadas naquilo que ela aprendeu.

Mas é possível programar uma máquina para pensar por si mesma? Alguns especialistas em inteligência artificial acreditam que a saída é imitar a maneira pela qual os seres humanos constroem um quadro ético e aprendem a refletir sobre diferentes regras morais. Em outras palavras, nós aprendemos o que é e não é aceitável, eticamente falando.

Fazer com que as máquinas tenham uma capacidade de aprendizagem semelhante a essa não é uma tarefa fácil e mais pesquisas sobre o tema são extremamente necessárias. Pesquisas sobre a ética em máquinas é um campo excepcionalmente novo – as primeiras ideias começaram a surgir no final da década de 1990. Especialistas acreditam que a chave para tudo isso é um trabalho interdisciplinar entre filósofos, sociólogos, engenheiros e até mesmo economistas. Pois, ao que tudo indica, apenas a teoria não é suficiente; é preciso estar envolvido com a concepção e implantação desses sistemas.

O próprio físico Stephen Hawking já alertou: “Olhando lá na frente, não há limites fundamentais para o que pode ser alcançado: não há lei da física que impeça partículas de serem organizadas em maneiras que possibilitem computações ainda mais avançadas do que as realizadas no cérebro humano”.

Em 2013 a ONU pediu aos Estados que aplicassem moratórias nacionais para parar os testes, a produção, a montagem, a transferência, a aquisição e o uso de robôs assassinos. Há alguns meses, especialistas e representantes de 60 países membros da ONU se reuniram para debater os limites legais e éticos das armas autônomas.

Eles também alertam que o desenvolvimento de armas inteligentes será uma questão “de anos, não de décadas”, assim como não deve demorar até que apareçam “no mercado negro e acabem nas mãos de terroristas, ditadores ou senhores da guerra com vontade de levar a cabo uma limpeza étnica”.

“A tecnologia relacionada à inteligência artificial chegou a um ponto no qual a disposição desses sistemas é possível em questão de anos, não décadas, e as expectativas são altas: as armas autônomas foram descritas como a terceira revolução para as guerras, após a pólvora e as armas nucleares. A pergunta chave para a humanidade hoje é se devemos dar início a uma corrida de armas feitas com inteligência artificial ou se devemos prevenir que ela sequer comece”, diz o documento.

O relógio está correndo…

canaltech.com.br/robotica/robos-assassinos-o-futuro-das-armas-autonomas-46109/

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