Fim do dinheiro vivo: mais de quatro mil suecos implantaram microchips nas mãos, que lhes permitem o pagamento de consumo diário.

Pergunte à maioria dos suecos com que frequência eles costumam pagar com dinheiro vivo e a resposta será “quase nunca”. Um quinto dos suecos, em um país de 10 milhões de pessoas, não usa mais os caixas eletrônicos. Mais de quatro mil suecos implantaram microchips nas mãos, que lhes permitem o pagamento de viagens de trem e alimentos ou até mesmo a entrada em escritórios sem chave. Restaurantes, ônibus, estacionamentos e até mesmo banheiros pagos dependem de cliques em vez de dinheiro.

Por Liz Alderman, do New York Times – Editado p/Cimberley Cáspio

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Pagamentos eletrônicos estão ganhando espaço ao redor do mundo (Apple/Divulgação)

Os consumidores urbanos em todo o mundo estão usando cada vez mais aplicativos e cartões para realizar pagamentos. Na China e em outros países asiáticos onde há abundância de usuários de smartphones, os pagamentos pelo celular são rotineiros. Na Europa, uma em cada cinco pessoas diz que raramente carrega dinheiro. Na Bélgica, Dinamarca e Noruega, o uso de cartão de débito e crédito atingiu recordes.

Mas a Suécia — e particularmente a juventude do país — está na vanguarda. Notas e moedas representam apenas 1% da economia, contra 10% na Europa e 8% nos Estados Unidos. Cerca de um em cada dez consumidores pagou por algo em dinheiro neste ano. A maioria dos comerciantes na Suécia ainda aceita notas e moedas, mas a categoria está perdendo muito espaço.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, os números são surpreendentes: mais de 95% de suas compras são feitas com cartão de débito ou com um aplicativo de smartphone chamado Swish, um sistema de pagamento criado pelos maiores bancos suecos.

A Ikea, cuja mobília está em praticamente todas as casas dos jovens, tem avaliado o fascínio e o efeito do comércio sem dinheiro vivo. Em Gävle, cerca de 160 quilômetros ao norte de Estocolmo, os gerentes decidiram que, temporariamente, não utilizariam dinheiro vivo. Adotaram tal medida depois de perceber que menos de 1% dos clientes usavam dinheiro — e os funcionários da Ikea gastavam cerca de 15% de seu tempo manuseando, contando e armazenando as notas.

Patric Burstein, gerente sênior, disse que o teste liberou seus funcionários do trabalho no caixa. Até agora, cerca de 1,2 de cada mil clientes não consegue fazer o pagamento com nada além do dinheiro vivo – principalmente na cafeteria onde as pessoas tendem a gastar os trocados. Em vez de se incomodar com notas, a Ikea tem oferecido brindes aos clientes.

“Propusemos: ‘Se você quer um cachorro-quente de 50 centavos, pronto, pegue. Mas da próxima vez talvez você possa trazer um cartão”, disse Burstein, 38 anos. O teste até agora sugere que o dinheiro não é essencial e, em vez disso, pode ser até caro, disse ele. “Estamos gastando muitos recursos com uma porcentagem muito pequena que realmente precisa de tal serviço”, disse ele.

A filial da Organização Nacional de Pensionistas da Suécia protestou contra o experimento, em parte porque muitos aposentados gostam de ir para a Ikea Gävle para comer alguma coisinha.

“Temos cerca de um milhão de pessoas que não se sentem confortáveis usando computador, iPads ou iPhones no lugar de bancos. Não somos contra o movimento digital, mas achamos que está um pouco acelerado demais”, disse Christina Tallberg, 75 anos, presidente nacional do grupo.

A organização tem arrecadado dinheiro para ensinar os aposentados a pagar por meios eletrônicos, mas, paradoxalmente, esse esforço foi abalado pela abundância de dinheiro. Quando os treinamentos são feitos em áreas rurais — e os idosos fazem as doações em dinheiro —, o pensionista responsável deve dirigir quilômetros para encontrar um banco que realmente aceite as notas, disse Tallberg. Cerca de metade das 1,4 mil agências bancárias da Suécia já não aceita depósitos em dinheiro.

“É mais ou menos impossível, porque os bancos se recusam a aceitar dinheiro”, disse ela.

Os bancos têm impulsionado a revolução do fim do dinheiro vivo ao incentivar o uso de cartões de débito e de crédito, que rende taxas lucrativas aos bancos e empresas de cartão. Isso inclui o aplicativo de smartphone Swish, desenvolvido pelos bancos.

Bancos da Suécia reduziram o dinheiro em parte por razões de segurança, após uma onda de assaltos violentos em meados da década de 2000. A psique nacional é marcada por um roubo de helicóptero infame em Västberga, em 2009, quando os ladrões desembarcaram no telhado de um depósito de serviço de dinheiro da G4S e roubaram milhões — um drama que agora está se transformando em um filme da Netflix. No ano passado, apenas dois bancos foram assaltados, contra 210 em 2008.

Nos últimos anos, os bancos encerraram a atividade de centenas de caixas eletrônicos. Usa-se tão pouco dinheiro vivo atualmente que se tornou custoso mantê-lo e rastreá-lo, disse Leif Trogen, funcionário da Associação de Banqueiros da Suécia.

Há duas propostas das autoridades suecas para manter o dinheiro em mãos. O Parlamento quer que apenas os maiores bancos lidem com dinheiro. O banco central está mantendo a ordem de que todos os bancos mantenham o fluxo de dinheiro. Swedbank, SEB e outras grandes instituições financeiras suecas estão lutando contra as demandas dos legisladores, alegando que isso colocaria um encargo desnecessário sobre eles para proporcionar acesso maior.

“A demanda por dinheiro está diminuindo em um ritmo cada vez mais rápido. Portanto, não é certo legislar para influenciar a demanda por dinheiro”, disse Trogen.

exame.abril.com.br/economia/a-suecia-esta-a-um-passo-de-abolir-o-dinheiro-vivo/

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