Brasil, tampe os ouvidos e não ouça o canto da sereia.

Por Cimberley Cáspio

[Imagem: resting-mermaid-312207.jpg]

Com problemas domésticos gravíssimos, Donald Trump resolve optar por invadir a Venezuela a fim de desviar o foco da atenção nacional e internacional. E com isso, deseja arrastar o Brasil e a Colômbia nessa empreitada que parece mais egocêntrica e econômica do que humanitária.

Reportagem da Folha de S. Paulo diz que os Estados Unidos pressionam o Brasil para usar poderio militar e forçar a entrada dos mantimentos na Venezuela. – Sputnik

O governo brasileiro será capaz de desobedecer à ordem americana? A não-intervenção é o padrão, mas, começar um governo com uma guerra contra o vizinho é azar demais.

2019 para Bolsonaro e o Brasil começou pesado; com mortes em Brumadinho, no CT do Flamengo, escândalos palacianos, filhos envolvidos, admissão e demissão relâmpago de ministro, enfim, a aranha construiu uma teia que o Brasil não consegue se desvencilhar. O governo quer governar, mas há obstáculos domésticos e internacionais que estão prejudicando a largada dos trabalhos de governabilidade, e claro, isso incomoda e muito não só ao governo quanto ao mercado e o povo brasileiro. A questão é que o cordão umbilical do Brasil com os EUA se mantém, o país não consegue tal rompimento e se romper, o governo de Nicolás Maduro é o exemplo da consequência do ato de desligamento umbilical, independente de julgamento se o governo de Caracas é bom ou deixe de ser. Os EUA não permitem tal desligamento e pune severamente esse ato indisciplinar. E agora no início de um novo governo, Trump está com intenção séria de arrastar o governo de Bolsonaro para uma guerra aberta.

A tensão está forte nas fronteiras; os chefes das Forças Militares venezuelanas já declararam que manterão fidelidade a Maduro e descartam qualquer ultimato externo; e o estado de alerta já se faz sentir em todo o país. Espaço aéreo e marítimo estão fechados; voluntários estão sendo recrutados nas milícias e se preparando para defender até com a vida, o luxo e a riqueza de Nicolás Maduro e família.

Por um lado, Donald Trump quer o petróleo venezuelano e ao mesmo tempo bloquear a presença russa e chinesa na Venezuela, inclusive na América Latina como um todo. Enquanto por outro, Maduro não quer largar o delicioso osso que rói. E o medo de terminar igual a Saddan Hussein! É uma intriga quase que particular entre o governo americano e o governo venezuelano. É a geopolítica americana ameaçada. 

O que atrapalha o Brasil é a imigração venezuelana e a falta de vontade política do governo de Nicolás Maduro em resolver a questão. Quer dizer, em uma intriga que o Brasil nada tem a ver, acaba sendo prejudicado, influenciando diretamente no estado de Roraima e tendo ainda, o governo brasileiro, dar alimento, dar abrigo, assistência médica e segurança para esse povo migrante, que agora confundiu. Eles estão se voluntariando para lutar contra forças americanas? Não foi o governo deles que lhes tirou até o papel higiênico e os forçou a migrarem? A confusão está totalmente formada. Não estou mais entendo. Só queria que Bolsonaro tivesse uma reunião a sós com Rui Coelho e Pequeno gafanhoto, quem sabe, o presidente poderia receber luz de conhecimento e sabedoria para sair dessa armadilha e poder trabalhar a sua governabilidade, que é o que mais nos interessa. Se ouvir o canto da sereia, ou seja, Trump, e entrar em uma guerra, não haverá governabilidade e sim, muito, muito sofrimento, inclusive de famílias, esposas, mães e pais de soldados mortos.

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