Brasília está fora da realidade ou eu que estou?

Por Cimberley Cáspio

[Imagem: aposentadoria2.jpg]

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Foi tempo em que as empresas mantinham bons funcionários por tempo indeterminado em suas instalações. E alguns, chegavam a fazer 20 ou mais anos de casa. Outros se aposentavam em uma só empresa. Coisas do passado.

Hoje, as empresas não fazem mais isso. Ainda mais com a terceirização. É difícil qualquer funcionário fazer mais de 5 anos de casa. Muitas empresas, e ainda se forem terceirizadas, não permitirão. Tentarão um acordo, sempre unilateral, e se não for aceito pelo funcionário, demitirão e contratarão outro no lugar ganhando menos que o funcionário anterior ganhava. A mão de obra está farta. 

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Todo ano cursos técnicos e faculdades jogam na rua uma infinidade de profissionais teoricamente capacitados e formados para o mercado de trabalho e dispostos a ganharem menos por uma vaga e o milagre de terem suas carteiras de trabalho assinadas, o que as empresas estão deixando de fazer, pois preferem um contrato de trabalho com o candidato à vaga, do que assinar carteira com uma série de direitos trabalhistas. Um contrato de trabalho para o empresário é melhor, e ainda mais quando se está permitido pela legislação. Por que vão querer perder ou gastar mais se pode o contrário?

Estão tratando a reforma da Previdência em Brasília como se estivéssemos vivendo uma maravilha econômica. O assunto mais importante que se debate é sobre a idade limite para aposentadoria e o tempo de contribuição, como se estivéssemos vivendo em um bom passado econômico. 

Claro que a Previdência vai economizar, pois o trabalhador ganhando uma miséria de salário, não vai deixar de consumir o seu básico de sobrevivência para pagar uma Previdência, que como já sabemos, na hora de pedir aposentadoria, a negativa é quase que 90% em relação a 10% dos que conseguem se aposentar, em sua grande maioria com um salário mínimo.

Para o empresário, é melhor o contrato de trabalho e deixar que o trabalhador se responsabilize pelo pagamento do seguro social, através do carnê de autônomo. O problema é que, devido ao baixo salário, inflação e crise pessoal, muitos trabalhadores não conseguem manter a regularização desses pagamentos por 35, que dirá 40 anos direto de mês a mês. E os empresários livres para terceirizar, por que vão se dar ao trabalho e custo de pagar um funcionário do Departamento Pessoal para fazer esse recolhimento que é do trabalhador e nada tem a ver com a empresa?

A Previdência vai economizar com essa reforma? Claro que sim. Se o número de negativas do órgão hoje para aposentar já é grande, para o futuro,as negativas dobrarão, e muito menos aposentadoria a Previdência Social irá pagar. E se em sua maioria, a aposentadoria é de um salário mínimo, onde que a Previdência perde?

Muito bem, segundo o governo, o trabalhador terá que contribuir 40 anos para a Previdência se quiser ter aposentadoria integral. Perguntas que não querem calar: a economia vai abrir e os 13 milhões de desempregados brasileiros serão absorvidos ao mercado de trabalho? Se sim, o trabalhador conseguirá ficar mais de 5 anos empregado em alguma empresa?

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