Bolsonaro: “problema do Brasil é a classe política, a qual, não quer apenas conversar.”

Por Pedro Fonseca – Reuters

Presidente Jair Bolsonaro foi submetido a cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal em 27 de janeiro
Imagem: Alan Santos/PR

Bolsonaro criticou a classe política, na qual se incluiu, em discurso a empresários na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) dias após ter compartilhado um texto anônimo que classifica o país como “ingovernável fora de conchavos”.

Ao afirmar que Câmara dos Deputados e Senado devem colocar em votação projetos que considerarem melhores do que aqueles enviados pelo Executivo, o presidente afirmou: “O que eu mais quero é conversar, mas sei que tem gente que não quer apenas conversar”.

Bolsonaro também afirmou que “não há briga entre Poderes, o que há é uma grande fofoca”, que por vezes inviabiliza e atrasa o Brasil.

“É um país maravilhoso que tem tudo para dar certo. Mas o grande problema é a nossa classe política. Somos nós, Witzel, somos nós, Crivella, sou eu Jair Bolsonaro, é o Parlamento, em grande parte, é a Câmara Municipal, a Assembleia Legislativa. Nós temos que mudar isso”, afirmou o presidente, ao lado do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e do prefeito da capital fluminense, Marcelo Crivella (PRB).

Segundo Bolsonaro, a maior contribuição que os governantes e parlamentares podem dar aos empresários é “não atrapalhar” diante do que chamou de enorme burocracia e das dificuldades existentes no país.

As declarações do presidente sobre a classe política vêm num momento em que o governo coleciona derrotas no Congresso e no início de uma semana decisiva, em que o Planalto precisará conquistar votos no Parlamento para impedir que medidas provisórias importantes percam validade.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Bolsonaro também aproveitou o discurso aos empresários para destacar a importância da aprovação da reforma da Previdência, que disse ser “salgada para alguns”, mas que combaterá privilégios.

“Não podemos desenvolver muita coisa por falta de recursos. Por isso precisamos da reforma da Previdência”, afirmou. “Não dá para continuar mais o Brasil com essa tremenda carga nas suas costas. Se não fizermos isso, em 2022, 2023, no máximo 2024, vai faltar recursos para pagar quem está na ativa”, disse.

No entanto, apesar da importância destacada pelo presidente, a tramitação do projeto tem preocupado os investidores, que consideram haver uma falta de articulação política do governo para fazer o projeto avançar.

Em um novo sinal de problemas na interação do governo com o Congresso, o presidente da comissão especial da Reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), disse também nesta segunda-feira que o governo não consegue construir maioria para liderar o processo, mas que o país não pode ficar refém disso e o Congresso vai fazer a reforma andar independentemente do governo.

Ramos já havia afirmado na semana passada que a Câmara dos Deputados irá assumir a dianteira das negociações e produzirá um novo texto, a partir de emendas apresentadas e da proposta original.

Questionado se Bolsonaro apoia a intenção do Congresso de apresentar um novo texto para a reforma da Previdência, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, reiterou que o presidente considera a proposta enviada pelo governo como a melhor, mas que está aberto a negociações com o Congresso.

“A proposta que o presidente identifica como a melhor proposta é aquela que ele já elevou ao Congresso Nacional. Não obstante, ele se coloca parceiro nesse processo de discussão e de avaliação para juntos, Congresso e Poder Executivo, darmos um andamento àquilo que vai tirar o Brasil de um precipício que muito rapidamente se aproxima”, disse.

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