Organização Mundial da Saúde diz que a Tanzânia está escondendo informações sobre casos suspeitos de ebola.

Por Tom McKay – Gizmodo brasil

Profissionais de saúde que tratam casos de Ebola em Beni, RDC em julho de 2019. Foto: Jerome Delay (AP

Em um comunicado no sábado (21), a Organização Mundial da Saúde (OMS) acusou o governo da Tanzânia de reter deliberadamente informações sobre casos suspeitos de doença pelo vírus ebola, informou o Washington Post. A alegação segue relatos de vários casos em todo o país, começando na capital Dar es Salaam, após o que a OMS disse não ter tido acesso aos exames de sangue e ter sido informada pelas autoridades da Tanzânia que o vírus ebola havia sido descartado.

Segundo a OMS, as autoridades da Tanzânia não ofereceram diagnósticos alternativos para os casos. No entanto, a organização recebeu “relatórios não oficiais” de que um médico de 34 anos que retornou de Uganda e morreu em 8 de setembro em Dar es Salaam apresentou resultado positivo para o ebola, enquanto uma segunda pessoa apresentou resultado negativo. O status de um terceiro caso possível não é claro, escreveu o WashingtonPost, e a declaração da OMS é a “repreensão mais crítica a qualquer governo até o momento” ao lidar com um surto em curso que começou na RDC (República Democrática do Congo) no ano passado.

“Dados clínicos, resultados das investigações, possíveis contatos e possíveis testes laboratoriais realizados para o diagnóstico diferencial desses pacientes não foram comunicados à OMS”, escreveu a agência no comunicado. “Estas informações são necessárias para que a OMS possa avaliar completamente o risco potencial representado por este evento”.

“A limitada informação oficial disponível pelas autoridades da Tanzânia representa um desafio para avaliar o risco representado por este evento”, acrescentou a OMS.

Como o Washington Post observou, a Tanzânia nunca havia relatado nenhum caso de ebola e sua economia fortemente dependente do turismo poderia ser prejudicada se o vírus se espalhar por lá. O surto em curso na RDC, iniciado em agosto de 2018, envolveu mais de 3.000 casos relatados e resultou em mais de 2.100 mortes, mas foi amplamente contido em duas províncias e agora está sendo combatido com medicamentos mais novos e avançados . No entanto, as autoridades da OMS “perseguiram casos em potencial do ebola que viajaram até Dubai e China”, segundo o Post.

Em 14 de setembro, de acordo com a Al Jazeera, o ministro da Saúde da Tanzânia, Ummy Mwalimu, disse que o governo investigou dois casos e descobriu que os “pacientes não tinham ebola. Não há surto de ebola na Tanzânia, como falamos, as pessoas não devem entrar em pânico”. No entanto, a rede observou que Mwalimu não esclareceu se esses dois casos incluíam o médico falecido.

Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS, disse à Al Jazeera que a OMS está pronta para ajudar se um surto for confirmado na Tanzânia e “está de prontidão para facilitar a entrega de vários suprimentos, incluindo vacinas e tratamentos – isso ocorrerá mediante solicitação do governo”. Jasarevic acrescentou que a OMS “continua a trabalhar” com a gigante farmacêutica Merck e pesquisadores para aumentar a disponibilidade de vacinas contra o ebola, escreveu a Al Jazeera, mas que há “suprimentos suficientes” para lidar com qualquer incidente na Tanzânia.

A RDC já sofreu 10 surtos de ebola, mas o mais recente, que iniciou em agosto do ano passado é considerado o maior até o momento. A Organização Mundial de Saúde declarou o caso como “emergência de saúde pública de preocupação internacional”. No total, foram 3 mil casos e mais de 2 mil mortes, sendo quatro delas em Uganda, país vizinho da RDC. A Tanzânia faz fronteira com a RDC e com Uganda, por isso a preocupação da OMS em acompanhar de perto possíveis casos no país.

O vírus da ebola foi descoberto pela primeira vez na República Democrática do Congo em 1976. Os sintomas iniciais da doença incluem febre repentina, fraqueza, dor muscular e dores de garganta. A transmissão pode ocorrer por meio do contato direto com sangue, fezes e fluídos de indivíduos infectados. As vítimas da doença tendem a morrer de desidratação e falência múltipla de órgãos.

[BBC]


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