Agrotóxico: quantas mortes de brasileiros serão necessárias para satisfazer a exportação do agronegócio?

Por Leonardo Melgarejo – Poder360 – Editado p/Cimberley Cáspio

 O desenvolvimento agrícola, se apoia no uso de mais de 500 princípios ativos (são milhares de formulações comerciais, agrotóxicas), enquanto nossos laboratórios não conseguem identificar nem sequer a presença de metade deles, na água “potável” que circula em todos os organismos que respiram no território nacional.

Nosso agronegócio despeja, por ano, cerca de 1 bilhão de litros de veneno sobre as lavouras…. 80% deles nas culturas de milho, soja, algodão, onde impera a transgenia. Onde isso vai parar? Na água. E o Ministério da Saúde só exige a análise de 27 daqueles princípios ativos. A única maneira de evitar os problemas de saúde é suspendendo as aplicações, e exportar é mesmo o que importa? A qualquer custo?

Mesmo que nossos laboratórios mapeassem os coquetéis que nossas famílias ingerem, haveriam formadores de opinião dispostos a ocultar tais informações porque, sabemos, não existem filtros que possam retirá-los da água.

Os avanços da ciência produtiva, está levando os agricultores a substituir variedades de soja, milho e algodão transgênicos, modificados para tolerar resíduos de herbicida apontado como cancerígeno, por outras sementes, mais “modernas”, que agora resistem e transportam moléculas de outros venenos, como 2,4D e dicamba, relacionados a alterações genéticas.

Tudo vai parar na água e boa parte se concentra nas guloseimas ultraprocessadas que determinam casos de obesidade infantil, já presentes em 30% de nossas crianças. E por favor, a suposição de que isto não tem a ver com a transgenia, ou de que a diminuta parcela de pesquisas realizadas pela Embrapa (que em boa parte ocorrem em “parceria” com as transnacionais), altera o fato de que as sementes transgênicas pertencem às transnacionais, não pode ser atribuído à ingenuidade ou inocência de nenhuma autoridade do setor agrícola.

Considere, por exemplo, as supostas vantagens ocultas no fato de que nossas safras de soja, que ocupam áreas de culturas destinadas ao mercado interno, que avançam sobre reservas florestais e terras indígenas, só serão cultivadas se as empresas, donas das sementes, o permitirem. Nossos agricultores não detém sementes, isso passou a ser crime.

Nossos ministros e presidentes não possuem controle sobre os estoques de sementes, e devem negociar a anuência da Bayer, Corteva, Chenchina, e outras transnacionais, para honrar compromissos de entrega de safras já comercializadas no mercado futuro de commodities. Que tipo de segurança ou soberania pode existir neste quadro?



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