Quarentena despenca o preço da gasolina no Sul, já podendo encontrar o produto a R$ 3, 92 o litro.

Por O DIÁRIO

Muitos consumidores já sentiram nas bombas e postos algo que parecia impensável até há alguns meses: uma redução generalizada no preço dos combustíveis. Resultado da baixa procura em função das medidas de isolamento social, causadas, logicamente, pelo coronavírus, que causa reflexos em todos os setores econômicos.

A questão, porém, é complexa, e preocupa entidades representativas do setor petrolífero. Conforme a Sulpetro, sindicato que representa o comércio varejista de combustíveis no Rio Grande do Sul, a redução da demanda é drástica, ampliando o efeito cascata que é prejudicial à economia, pois a intensidade e duração da pandemia trazem ainda mais incertezas.

“Estimamos uma queda do consumo de gasolina de cerca de 80% na capital e de 30% e 40% nos municípios do interior do estado. Mesmo os postos situados em rodovias e que comercializam principalmente óleo diesel foram atingidos, também com uma redução entre 30% e 40%”, diz o presidente da Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua.

Na quarta-feira, 25, a Petrobras reduziu em mais 15% o litro da gasolina nas refinarias, cobrando R$ 1,14 o litro. Conforme a estatal, este é o menor preço desde outubro de 2011. No acumulado do ano de 2020, o valor já diminuiu cerca de 40%. Mas o que o consumidor paga leva também em consideração a carga tributária, estoque do combustível e margens de lucro.

Conforme Dal’Aqua, ainda que o transporte de cargas, por exemplo, tenha sido mantido após sucessivos decretos em âmbito estadual e federal, outras atividades estão estagnadas, como os caminhões-cegonha que transportam automóveis, já que as montadoras estão com a produção parada. Segundo ele, o perfil do consumo de combustível deve mudar após o coronavírus.

“A perspectiva é que, com uma economia ainda mais fragilizada e possível aumento do desemprego, o abastecimento de gasolina não seja colocado como uma prioridade. Acreditamos que a melhora da economia depende de medidas do governo federal. Mas nossa maior dificuldade é o tempo para estas ações se concretizarem”, alerta ele.

Outro perigo não tão imediato, segundo o presidente da Sulpetro, é que muitos postos se tornem insolventes, ou seja, com dívidas que não possam ser quitadas. O motivo é que muitos destes comércios têm faturamento alto, e por isso não devem ser abrangidos por programas como o da União, que auxilia pequenas e médias empresas no pagamento do salário dos colaboradores.

De qualquer maneira, para o consumidor, os preços vêm caindo. O Diário entrou em contato com quatro postos de combustíveis ontem, dois em Estância Velha e dois em Ivoti. Em todos, os preços variaram para baixo em Ivoti, o litro era vendido a R$ 4,22 em um e R$ 4,19 em outro, e em Estância, de R$ 3,92 a R$ 3,98, queda absoluta de cerca de 20 centavos nos últimos dias.

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