Coronavírus está forçando a aterrissagem permanente de aviões pelo mundo.

Por Carlos Ferreira

Cerca de US $ 5 bilhões em aeronaves de todo o mundo estão agora escondidas no deserto australiano de Alice Springs devido o corte de viagens relacionadas ao COVID-19

Há algumas semanas, a Singapore Airlines, uma das mais premiadas empresas aéreas do mundo, começou a mandar seus aviões para armazenagem de longo prazo no deserto australiano. Na última semana, foi a vez dos gigantes Airbus A380 serem enviados para lá, o que ajudou a produzir cenas tão incríveis quanto melancólicas.

Alguns dos maiores aviões da Singapore Airlines estão hoje em Alice Springs, na Austrália, para armazenamento durante o surto de COVID-19. Algumas imagens espetaculares capturadas pelo fotógrafo Steve Strike e publicadas nas suas mídias sociais, mostram os superjumbos da empresa aérea e vários Boeing 777 alinhados no Asia Pacific Aircraft Storage (APAS) junto a outras aeronaves menores.

Embora tenha sido inaugurado em 2011 e tenha capacidade para armazenar o maior avião de passageiros do mundo, o APAS diz que é a primeira vez que recebe uma aeronave A380.

“Bilhões de dólares em aeronaves estão agora escondidas no deserto perto de Alice Springs”, escreveu Strike no Facebook. “Não consigo imaginar os efeitos a longo prazo disso. Acho que ninguém tem ideia de como serão as viagens no futuro”.

Na semana passada, a Singapore Airlines confirmou que quatro superjumbos e três 777-200ERs seriam levados até a Austrália. “O impacto do surto de covid-19 resultou em uma demanda significativamente reduzida no setor de aviação e, como resultado, a Singapore Airlines reduziu sua capacidade programada em 96%”, disse a companhia.

“De uma frota de 200 aeronaves do grupo, apenas 10 estão operando atualmente em serviços regulares de passageiros”, dizia a nota. A Singapore Airlines está armazenando suas aeronaves em diferentes instalações ao redor do mundo para garantir que sejam adequadamente mantidas durante esse período de demanda e atividade baixa.

“Continuaremos a monitorar a situação e, quando apropriado, traremos as aeronaves A380 a Cingapura antes de reintroduzi-las em nossas operações”, concluía a empresa.

Como as fotos mostram, além dos aviões da Singapore, sua subsidiária SilkAir já estava armazenando seis aviões Boeing 737 MAX na APAS, que tem capacidade para mais de 60 aeronaves e está sendo expandido para estacionar cerca de 100. O clima seco e árido permite que os aviões possam ser preservados em excelentes condições antes de retornar ao serviço ou serem reciclados.

O futuro dos A380 na Singapore é incerto. Ela foi a primeira empresa aérea a receber a aeronave e também a primeira a começar sua aposentadoria. Um dos seis já aposentados está hoje voando pela Hi Fly, empresa portuguesa especializada em fretamentos e aluguel de aeronaves, e outras já foram totalmente desmontadas, com as peças enviadas para a reciclagem.

São retratos de um setor aéreo totalmente debilitado pela pandemia e sem uma previsão clara de retorno à normalidade.

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