72 mil tripulantes estão confinados em 104 navios de cruzeiros parados no mar, com dificuldades financeiras e sem poder voltar para casa.

Por RFI

Robert Pittman/ Flickr

Dois meses atrás, quando o mundo começou a tomar medidas de isolamento social para impedir a propagação da Covid-19, as companhias marítimas norte-americanas receberam ordens para parar de navegar. Após longas negociações com as autoridades portuárias, os navios conseguiram desembarcar e repatriar seus passageiros, antes de zarpar de novo em direção ao mar, criando um problema para os tripulantes que continuam confinados a bordo.

Atualmente, 104 navios de cruzeiro se encontram em águas norte-americanas. A bordo, quase 72.000 tripulantes. Isto foi confirmado esta semana pela guarda costeira dos Estados Unidos.

Esta tripulação não se encontra toda na mesma situação: os encarregados de manter os navios, como os marinheiros, os cozinheiros ou até a equipe de manutenção, continuam a receber um salário. Mas este não é o caso dos funcionários que deveriam entreter os passageiros. Dificuldades financeiras são, portanto, adicionadas ao sofrimento psicológico.

As companhias de navegação são acusadas de não fazer nenhum esforço para repatriar seus funcionários devido ao alto custo de voos fretados.

A empresa Royal Caribbean finalmente assinou um acordo de aterrissagem estabelecido pelos centros de controle e prevenção de doenças. Mas a repatriação de seus aproximadamente 25.000 tripulantes, oriundos de mais de 60 países, é mais do que complexa no contexto atual de uma pandemia.

“Cada país tem seus próprios padrões e regulamentos particulares sobre quem pode voltar para casa, como e quando”, disse Michael Bayley, presidente da Royal Caribbean. A empresa diz que já repatriou milhares de tripulantes, embora “o fechamento de portos e restrições de viagens” tenham tornado essas operações mais complicadas nas últimas semanas.

Empresas acusadas de negligência

Um total de 2.789 casos de coronavírus foram registrados entre os passageiros e tripulações de 33 navios afiliados à principal federação mundial do setor, a Cruise Lines International Association (CLIA).

Na Justiça, os funcionários da Celebrity Cruises apresentaram uma queixa coletiva acusando a empresa norte-americana de negligência.

A família de um funcionário indonésio de 27 anos, que morreu em um hospital da Flórida, também atacou a Royal Caribbean por homicídio.

https://operamundi.uol.com.br/coronavirus/64600/covid-19-tripulantes-de-navios-de-cruzeiro-continuam-presos-em-alto-mar

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