Ao investigar excesso de velocidade de um Boeing sobre os céus da Suíça, as autoridades descobriram que o piloto operava a aeronave há 20 anos sem licença para a função.

Por Murilo BassetoThe Aviation Herald & Mail & Gurdian

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Era novembro de 2018 quando um incidente aéreo ocorreu em um voo que cruzava os céus da Suíça. Mas a investigação aberta sobre o caso, corriqueira em situações normais de incidentes, revelou uma irregularidade inacreditável. Um dos pilotos voava há mais de duas décadas sem a licença para sua função.

O incidente em questão ocorreu com o voo de número SA-206, da South African Airways (SAA), que havia partido do aeroporto internacional OR Tambo, em Joanesburgo, para o internacional de Frankfurt, na Alemanha.

O piloto sênior William Chandler era o primeiro oficial (co-piloto) na viagem, e tinha os controles no momento do incidente.

A aeronave utilizada naquele dia 6 de novembro era o Airbus A340-600 registrado sob a matrícula ZS-SNF. No momento do incidente, o jato de quatro motores cruzava o nível de voo FL380 subindo para o FL390 sobre a Suíça quando a aeronave foi submetida a uma situação de velocidade excessiva.

A tripulação então diminuiu a velocidade do A340 e continuou o voo até Frankfurt para um pouso seguro cerca de 35 minutos depois. A situação foi reportada pelos pilotos, e o BFU, órgão de investigação da Alemanha, classificou a ocorrência como um incidente grave.

O BFU abriu uma investigação e, pouco tempo depois, no início de 2019, a irregularidade foi revelada. Um porta-voz da South African Airways disse que a investigação sobre o incidente levou à descoberta de que Chandler não tinha licença para sua função.

Em comunicado, a companhia aérea afirmou que Chandler fez falsas declarações à empresa e alegou que ele era qualificado e possuía uma licença de piloto de transporte aéreo (ATPL), quando, na verdade, tinha apenas uma licença de piloto comercial.

“É um requisito da SAA que todos os pilotos obtenham uma licença ATPL dentro de cinco anos após seu emprego como pilotos na SAA. Isso está vinculado ao status de Primeiro Oficial Sênior e faz parte de suas condições de emprego, conforme regulamentado no Contrato de Regulamentação de Pilotos da SAA. Qualquer piloto que não obtiver essa licença terá seu emprego rescindido na companhia aérea”, declarou a empresa aérea.

Promoção recusada

As investigações sobre a trajetória irregular de Chandler revelaram que ele optou por não ser promovido ao posto de comandante em 2005, pois ele teria que apresentar sua certificação e seria descoberto.

O piloto foi demitido e a companhia aérea entrou com processo para que ele pague de volta todo o dinheiro que ganhou de forma fraudulenta, incluindo benefícios, o que pode chegar facilmente a milhões.

Apesar dos desdobramentoas, a South African Airways disse que Chandler não apresentava risco à segurança da operação, pois possuía uma Licença de Piloto Comercial válida. “O piloto concluiu com êxito todo o treinamento de segurança necessário. No entanto, achamos desconcertante que tenham sido feitas declarações falsas sobre o tipo de licença que o piloto alegou possuir”.

Mas fica o questionamento: a companhia aérea nunca teve um Programa de Qualidade que verificasse a situação regulamentar de seus tripulantes? Confiava que todos os seus funcionários controlariam corretamente e honestamente seus requisitos?

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