As parteiras do Brasil, dão um show de competência médica.

Por Cimberley Cáspio

Mãe Dalaula: Documentário As Parteiras do Amazonas
Mãe Dalaula

Somente a National Geographic, produziu pela segunda vez, mais um lindo documentário sobre o imenso e relevante valor das parteiras, que até agora, a mídia nacional, não as enxergou.

Enquanto médicos recusam trabalho por, segundo alguns, não haver ar-condicionado nos consultórios, usando o argumento da falta de estrutura dos hospitais para uma série de ponderações, entre elas, a falta dos mesmos nas regiões mais carentes do país, as parteiras vão dando show de competência, como “médicos naturais”, formados pela faculdade da mãe natureza, dando prova de um legado eficiente ao longo de toda história. 

Parabéns a todas as parteiras! | Sentidos do Nascer

Mesmo sem ganhar um tostão sequer, vivendo também na linha da pobreza, esses “médicos naturais”, se lançam ao socorro daqueles esquecidos e desprezados seres humanos que moram nos mais distantes rincões do País.

Ahh…se não fossem esses “médicos”, o que seria dos pobres… nas roças… florestas… e cerrados? Enquanto nos hospitais, os médicos culpam a falta de estrutura pela péssima qualidade do serviço, a falta de um ar-condicionado por exemplo,as parteiras no meio do mato, sem nenhuma estrutura tecnológica, somente com as mãos, um galho de mato abençoado e uma reza… pronto! O serviço fica magistralmente feito, com mãe e criança vivos e passando bem. São mulheres tão maravilhosas, que o governo não é digno de tê-las como servidoras. Elas estão muito acima disso. São nobres e extremamente competentes em medicina natural. 

A estatística prova que muito mais gente morre pela medicina “cientifica” do que pela medicina natural. 

Lá no meio do mato, os “médicos naturais” jamais largam os seus postos. Vivem com o pouco que tem, agradece a Deus e se lançam ao trabalho, pois amam verdadeiramente o que fazem e são verdadeiramente importantes em suas comunidades; curam e salvam vidas, com amor e competência…Muita competência. 

Os médicos formados pela faculdade de medicina dos homens, precisam de estrutura científica e tecnológica para exercerem suas funções e muitas das vezes, só querem exercer a sua função médica, se forem muito bem pagos, já por outro lado, o “médico, formado pela faculdade da mãe natureza”, não precisa de nada disso, somente com as mãos e a sabedoria, realizam magistralmente todo o trabalho, sem exigir o mínimo que ele,ou ela,precisa. 

Não sou contra a medicina científica, sou contra a incompetência profissional em todas as áreas. Se vai prestar a fazer alguma coisa, que seja apto a fazê-la e faça-a bem; errar é humano, graças a Deus por isso; e fatalidades estão muito além da nossa vontade. Porém errar por omissão, por falta de vontade de fazer, por fazer sem ter aptidão, por saber fazer 100% e não querer fazer 100%, por fazer somente com ajuda de terceiros e saber que o terceiro não ajuda e assim mesmo ficar no posto sabendo que vai dar errado e sempre culpar o terceiro tirando o corpo fora, apenas para garantir o emprego e que se dane os outros, não, isso não é falha humana, isso é uma monstruosidade. .

“Elas nasceram do ventre úmido da amazônia, no extremo norte do Brasil, no estado esquecido do noticiário chamado Amapá. O país pouco as escuta porque perdeu o ouvido para os sons do conhecimento antigo, para a música de suas cantigas. Muitas não conhecem as letras do alfabeto, mas são capazes de ler a mata, os rios e o céu. Emersas dos confins de outras mulheres com o dom de pegar criança, adivinham a vida que se oculta nas profundezas. É sabedoria que não se aprende, não se ensina nem mesmo se explica. Acontece apenas. Esculpidas por sangue de mulher e água de criança, suas mãos aparam um pedaço ignorado do Brasil. O grito ancestral ecoa do território empoleirado no cocoruto do mapa para lembrar ao país que nascer é natural. Não depende de engenharia genética ou operação cirúrgica. Para as parteiras, que guardaram a tradição graças ao isolamento geográfico do berço, é mais fácil compreender que um boto irrompa do igarapé para fecundar donzelas que aceitar uma mulher que marca dia e hora para arrancar o filho à força.”

[Trecho da reportagem “As parteiras da floresta”, uma de dez matérias publicadas no livro O Olho da Rua, de Eliane Brum, da Revista Época. Ela esteve no Amapá, onde 90% da população nasce da mão das parteiras. O livro foi publicado pela Editora Globo em 2008]

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